30/09/2026 - Greve da Caixa
Quarta-feira, agência aberta de novo, e o celular começa cedo. A construtora quer saber quando sai o repasse parado na fila; o cliente quer saber se a multa que corria no contrato cai agora que acabou a greve da Caixa. As perguntas chegam antes do café, e nenhuma tem resposta pronta.
A greve da Caixa acabou, mas a nota do banco sobre o fim da paralisação não traz prazo para pôr em dia a fila de financiamentos: o corretor pede por escrito a etapa de cada processo, avisa vendedor e construtora e leva ao aditivo uma data que consiga sustentar. O fim da paralisação destrava o atendimento; não devolve os dias que passaram, nem transforma em compromisso uma previsão que ninguém fez.
O que o TST decidiu sobre a greve da Caixa?
Na terça-feira, 29 de setembro, a Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho julgou o dissídio que a própria Caixa tinha levado ao tribunal. Com relatoria do ministro Mauricio Godinho Delgado, a seção considerou a greve não abusiva e determinou o retorno imediato dos empregados ao trabalho, segundo a notícia publicada pelo TST no mesmo dia. A paralisação tinha começado em 10 de setembro e durou 19 dias.
O reajuste ficou em 100% do INPC mais 0,6%, com efeitos de 1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2028. Os dias parados não serão descontados, mas terão de ser compensados em até 180 dias. As regras do Saúde Caixa, um dos principais pontos de divergência, foram mantidas. Segundo a CNN Brasil, o voto do relator também julgou improcedente o pedido de multa por descumprimento da liminar que, na sexta-feira anterior (25), tinha mandado manter pelo menos 60% dos empregados em atividade.
Em nota no mesmo dia, a Caixa informou que o funcionamento das agências seria integralmente restabelecido a partir desta quarta, 30. A nota não fala de habitação nem de prazo para pôr a análise de crédito em dia, e esse silêncio define o que o corretor pode dizer ao cliente.
Quantos financiamentos ficaram represados?
O número que circula é uma estimativa de imprensa, não dado da Caixa. Segundo reportagem do Estadão reproduzida em 26 de setembro, a Caixa fecha em média 3,2 mil contratos de financiamento imobiliário por dia, o equivalente a R$ 920 milhões, e o jornal fez uma conta sobre os 13 primeiros dias de greve. Se 20% desses contratos tivessem a tramitação interrompida, seriam 8,3 mil vendas comprometidas; se fossem 50%, 20,8 mil.
Antes de repetir esses números: são conta do jornal, com percentuais supostos, e não dado da Caixa; cobrem 13 dias, e a greve durou 19. E “comprometida” não quer dizer perdida: boa parte dessas vendas está onde está o seu cliente, esperando a vez. O número mostra o tamanho da fila que voltou a andar de uma vez, e por isso ninguém sério crava data para ela acabar.
Em que etapa está cada cliente, e o que cobrar agora?
O primeiro trabalho da semana é saber onde cada processo parou. Segundo a página de perguntas frequentes da habitação da Caixa, depois de enviada a proposta o atendimento é pelo Correspondente Caixa Aqui ou pela agência de relacionamento, com o telefone do correspondente no aplicativo Habitação Caixa. É para esse canal que vão as perguntas da tabela.
ACOMPANHAMENTO DO PROCESSO DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO
1. Proposta em análise — documentos e crédito
O que conferir hoje:
Verificar se a documentação do comprador, do vendedor e do imóvel está completa e se alguma certidão venceu durante o período de análise.
O que pedir por escrito:
Solicitar ao correspondente bancário:
- a etapa atual do processo;
- a relação do que ainda estiver pendente;
- a data ou previsão para regularização das pendências.
2. Avaliação do imóvel
O que conferir hoje:
Verificar se a vistoria do engenheiro credenciado já foi agendada ou realizada e se o laudo de avaliação já foi emitido.
O que pedir por escrito:
- A data prevista para a vistoria; ou
- caso já tenha ocorrido, a confirmação de que o laudo foi emitido.
3. Crédito aprovado — aguardando assinatura
O que conferir hoje:
Verificar se a assinatura do contrato será realizada presencialmente na agência ou por meio de certificado ou assinatura digital.
O que pedir por escrito:
Solicitar a data prevista para assinatura do contrato.
Caso ainda não exista uma data definida, perguntar quando ela será agendada.
4. Contrato assinado — encaminhado para registro
O que conferir hoje:
Verificar:
- quem ficou responsável por levar o contrato ao Registro de Imóveis;
- se o ITBI já foi pago;
- se o contrato já foi protocolado no cartório.
O que pedir por escrito:
Solicitar:
- o número do protocolo do Registro de Imóveis;
- eventuais exigências ou pendências apresentadas pelo cartório.
5. Contrato registrado — aguardando liberação do recurso
O que conferir hoje:
Verificar o que ainda falta para que o banco libere o valor ao vendedor ou à construtora.
O que pedir por escrito:
Solicitar a previsão de liberação do recurso.
Essa data é especialmente importante quando existe necessidade de preparar ou formalizar algum aditivo contratual.
Pedir por escrito não é desconfiar do correspondente: é o que sustenta o aditivo. Resposta por mensagem ou e-mail, com data, vale mais do que três ligações.
Um ponto merece atenção à parte: certidão vencida. Ainda durante a greve, a Exame alertou que, com a paralisação longa, documentos e certidões com prazo de validade poderiam precisar ser emitidos de novo. Confira a data de cada certidão do vendedor e do imóvel antes de o banco pedir; a lista do que o vendedor costuma apresentar está em documentos para vender um imóvel.
Por onde começar a cobrar?
A nota da Caixa não fala em critério de prioridade para a fila, então a ordem aqui é a do risco do seu cliente, não a do banco.
Primeiro, quem tem prazo vencendo com a construtora ou o vendedor. É onde multa, juros e correção começam a correr. Aviso por escrito e pedido de aditivo saem hoje, antes mesmo da resposta do banco.
Depois, quem já tem crédito aprovado e espera assinatura. Pelo roteiro da Caixa, é quando o comprador vai à agência assinar, e o registro e a liberação do dinheiro dependem dessa assinatura. Peça a data.
Em seguida, os contratos assinados a caminho do registro. Aqui o processo depende também do cartório e do ITBI. Confirme o protocolo e se há exigência pendente.
Por último, as propostas no começo da análise. Têm mais etapas pela frente e prazo menos apertado. Revise a documentação para nada voltar com pendência.
O que muda no aditivo com a construtora e o vendedor?
Quase nada no método, e muito na data. A regra da semana passada continua valendo: o fim da greve não reabre prazo que já venceu. Pelo artigo 397 do Código Civil, o inadimplemento da obrigação positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. O artigo 396 diz que não há mora sem fato ou omissão imputável ao devedor, mas isso se discute depois, em acordo ou na Justiça, e não apaga a cobrança que já chegou. O raciocínio completo, com multa e força maior, está em greve da Caixa: o atraso não suspende a multa do cliente.
O que muda é a data. Durante a greve, qualquer data era chute; agora o aditivo pode trazer uma data construída a partir da etapa confirmada por escrito, com folga para a fila. Três coisas não podem faltar: a nova data, o que fica suspenso até ela (multa, juros e correção, ou só a multa) e a partir de quando. Se o prazo já venceu, o aditivo diz também o que acontece com o que correu até a assinatura.
E avise antes de pedir. Vendedor e construtora recebem uma mensagem curta, por escrito, com a etapa do processo, a previsão que o correspondente deu (atribuída a ele) e o pedido de aditivo. O vendedor pessoa física também tem compromisso esperando esse dinheiro, e saber cedo mantém o negócio de pé.
O que o corretor não deve prometer?
Depois de quase três semanas de espera, a frase “agora resolve” sai fácil, e é ela que vira reclamação daqui a quinze dias. Fique longe destas:
Prazo de normalização. A Caixa não anunciou nenhum. Qualquer “em duas semanas volta ao normal” é seu, não do banco, e o cliente vai cobrar de você.
Que a multa vencida caiu com o fim da greve. A decisão do TST trata da relação entre a Caixa e os empregados. Ela não mexe no contrato entre o comprador e quem vende.
Que quem estava na fila passa na frente. A nota da Caixa não fala nisso. Se o correspondente disser que há, peça por escrito e repasse atribuindo a ele.
O que dá para dizer com segurança: a greve terminou, a Caixa anunciou a reabertura das agências, o processo está nesta etapa, a previsão é esta, dada por esta pessoa, e o aditivo protege o prazo enquanto isso.
Isso vale para outro atraso de banco?
Vale. Sistema fora do ar, regra que muda no meio do processo, laudo que volta com pendência: o banco atrasa, o contrato com o vendedor continua contando os dias, e a proteção é a mesma. Etapa confirmada por escrito, aviso antes do vencimento, aditivo assinado, protocolo guardado.
Com vários processos ao mesmo tempo, a memória não dá conta. Na ImobiBrasil, o funil de vendas mantém o histórico completo de cada negociação, e você cria tarefas com data e horário, com lembrete automático na agenda: a próxima cobrança ao correspondente e o vencimento de cada aditivo viram compromisso, não lembrança.
Perguntas frequentes (FAQ)
A greve da Caixa acabou?
Sim. Em 29 de setembro de 2026, a SDC do TST considerou a greve não abusiva e determinou o retorno imediato dos empregados ao trabalho. A Caixa informou que as agências voltariam a funcionar integralmente em 30 de setembro, sem dar prazo para pôr em dia a fila de financiamentos.
O fim da greve da Caixa perdoa a multa do contrato com a construtora?
Não por si só. A decisão do TST trata da relação entre a Caixa e os empregados, não do contrato entre comprador e vendedor. Vencido o prazo sem aditivo, o comprador está em mora (Código Civil, art. 397); a exceção do art. 396, para atraso não imputável a ele, se discute depois, em acordo ou na Justiça. O que protege o cliente é o aditivo assinado.
Quanto tempo a Caixa vai levar para normalizar os financiamentos?
A nota da Caixa sobre o fim da greve não traz prazo: fala da reabertura das agências, não da fila do crédito habitacional. A data que o corretor passa ao cliente é a que o correspondente confirmar por escrito, processo a processo.
Quantas vendas de imóveis a greve da Caixa travou?
O número que circula não é da Caixa. Uma estimativa do Estadão calcula de 8,3 mil a 20,8 mil vendas comprometidas nos 13 primeiros dias de greve, supondo que 20% ou 50% dos cerca de 3,2 mil contratos diários da Caixa tivessem a tramitação interrompida. É conta do jornal, não dado do banco.
A ImobiBrasil acompanha o processo do financiamento na Caixa?
Não. O processo é do banco, e quem acompanha é o corretor, pelo correspondente ou pela agência. A plataforma ajuda a não perder a data: as tarefas com data e horário avisam na agenda quando é hora de cobrar.
https://www.imobibrasil.com.br/blog/greve-da-caixa-acabou-financiamento-o-que-fazer/?spush=YWRtaW5pc3RyYXRpdm9AbWFyZWNpLmNvbS5icg==&sp_pin=fB2eV4-gWYnnTYk-CcZE6vMEsWOcaRa1yCGav4ErvP8
Fonte: ImobiBrasil
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